Gestão do Paradoxo – Arte e Ciência

Tempos-Modernos
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Um processo de vendas que deu certo na Europa, pode dar ser adotado mundo afora?

Uma pergunta desconcertante como essa muitas vezes fica sem resposta porque é uma coisa muito comum, principalmente para países do terceiro mundo, receber métodos e processos para serem seguidos de cabo a rabo, sem levar em consideração a cultura local e o quanto os atores podem contribuir com a evolução da empresa e dos negócios, se tivessem apenas como norte os processos e não como regra.

Fala sobre a padronização do processos, que pode, ironicamente, minar o próprio desempenho que pretende otimizar. Muito processos funcionam melhor quando em vez de rigidamente controlados, são tratados como um trabalho artístico. Porque a padronização exime o indivíduo da responsabilidade e faz com que ligue o piloto automático.

Tentar enquadrar dentro do processo o trabalho artístico, principalmente na indústria, não é visto com bons olhos, uma vez que ainda carregamos os conceitos criados na Revolução Industrial, em que tudo leva acreditar que a indústria para ser produtiva precisa seguir um Manual – É a volta dos “Tempos Modernos”, brilhantemente estrelado por Charlin Chaplin, que de moderno não tem nada. E isso refletiu diretamente no mercado B2C.

É importante também ressaltar que se um processo é artístico, é bom investir para dar ao pessoal a capacitação, o discernimento e a apreciação cultural para que saia bem em condições variáveis, é dar o poder para o improviso. Lidar com o ser humano é isso, é improvisar o tempo todo dentro, mas dentro de um roteiro, de um repertório de vida.

Mas afinal, o que é um processo artístico?

Pode ser considerado um trabalho subjetivo, artesanal, que se faz necessário em entornos que podem mudar (quando a matéria-prima não é uniforme, por exemplo, exigindo portanto ajustes de um especialista), ou seja, em ambientes altamente variáveis e o quando o cliente dá valor a um resultado distinto ou singular.

Desenvolver e sustentar a arte em uma organização exige uma abordagem em direto conflito com a formação de muitos gerentes, e é importante ressaltar alguns passos como:

Determinar o que deve ou não ser arte. Ou seja, se um método ou prática ainda está engatinhando, será preciso determinar se deve evoluir rumo ao um processo padronizado ou artístico. Aqui é importante destacar que se a clientela deixou de dar valor à variação, uma vez que a ciência do processo já foi dominada, manter um processo artístico pode permitir que a concorrência adote a padronização, torne-se mais eficiente e ultrapasse sua empresa.

Segundo passo, criar uma infraestrutura de apoio à arte, com duas finalidades: garantir que artistas tenham liberdade para praticar e aprimorar seu ofício e assegurar que gerem o máximo valor para o cliente. E terceiro, reavaliar periodicamente a divisão entre arte e ciência.

Agora, uma situação vivida com relação ao artigo

Desde a época do SENAI tive contato com vários tipos de processos. Sejam eles de cultura americana ou japonesa, todos validados de imediato quando fui para a linha de produção na Mercedes-Benz. Pude observar, que muitos dos problemas que ali aconteciam era justamente pelo engessamento da forma de trabalhar, onde não havia espaço para a criatividade ou para a intervenção do trabalho artístico.

E isso se dava de cima para baixo, onde os diretores, supervisores e líderes eram treinados para colocar o processo em prática e não ouvir o chão de fábrica, sendo que a solução para boa parte dos problemas, que envolviam a produção,  já estava na cabeça do peão, até pelo contato diário com a situação, diferente dos gestores. Mas aqui, volto a dizer que isso ainda é uma herança da Revolução Industrial.

Não tem como ignorar que os processos que acontecem dentro da Indústria também impactam na prestação de serviços. Um copia e cola de processos científicos para garantir a padronização.

Quando entrei no mercado de Startups, vi que essa categoria tem muito a contribuir com os novos modelos. Contribuir com percepção do mercado, com comportamento do consumidor identificando o momento em que se deve entrar um processo científico ou artístico sem grandes prejuízos. São empresas preparadas para lidarem muito bem com o mercado da incerteza, de alta variedade e que estão constantemente lidando com a ciência e a arte.

O modelo das Startups, veio da indústria também, principalmente com o Lean Manufacturing, que combate o desperdício e permite a otimização global de sistemas produtivos altamente customizáveis. Esse tipo de processo se encaixa perfeitamente em ambientes de incerteza e variação. Mas nenhuma delas deixa de lado processo artístico para lidar com o comportamento do ser humano. Porque ao invés de projetar planos complexos, baseados em inúmeras hipóteses, as Startups ajustam-se por meio do ciclo – Construir – Aprender – Medir, ou seja, antes de qualquer tipo de padronização, validam se vale a pena ou não evoluir com o produto/serviço, de acordo com o comportamento da clientela, associado à alta velocidade de entrega.

E para finalizar, não posso deixar de fora a nova economia, que é a Economia Criativa que está sendo considerada uma das grandes riquezas deste século. Valores econômicos junto com valores sociais, para gerar riqueza, impacto social e diversidade. É o ciclo de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usa a criatividade e o capital intelectual como matéria prima. Que com certeza gera valor a clientela.

 

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Ronnie Magalhães

Pós-graduando em Empreendedorismo e Novos Negócios pela Business School São Paulo. Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Universidade Anhembi Morumbi, com especialização em E-commerce e Projetos Web.

Possui conhecimentos e habilidades em planejamento e desenvolvimento de planos de comunicação, estratégias de relacionamento e gestão de canais em mídias sociais, gerência e controle de campanhas, análise e mensuração de resultados. Experiência na integração de projetos com Analytics, Search Engine Marketing, Search Engine Optimization. Certificado Google Advertising Professional.

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